O segundo dia da IX FLIC ficou marcado por encontros literários que atravessaram a cidade, das Termas ao Estabelecimento Prisional, do Regimento de Infantaria 19 ao Salão Nobre do Rotary Club de Chaves. A literatura cumpriu o seu propósito maior: juntou pessoas, provocou reflexão e abriu portas onde, por vezes, elas parecem não existir.
Mesa 2 – Torga passou por aqui
Termas de Chaves – 10h00
Orador: Manuel Araújo | Moderação: Cátia Portela (Komunica)
Perante um público superior a 20 participantes, o escritor flaviense Manuel Araújo conduziu uma viagem pela obra e pela presença simbólica de Miguel Torga na região. A conversa abordou as marcas que Torga deixou na paisagem transmontana e nas vidas que retratou com um realismo duro e humano.
O orador destacou episódios, temas e poemas que revelam a ligação entre o escritor e Chaves — mesmo quando Torga não estava fisicamente presente, a cidade surgia na sua literatura como cenário, memória ou metáfora. A mesa explorou ainda os pilares da poesia torguiana e o impacto do autor na cultura e no ensino da região, aproximando o público do universo torguiano.
Mesa 3 – Os tempos que há dentro do tempo
Estabelecimento Prisional de Chaves – 14h30
Oradores: José Maldonado, Ernesto Salgado Areias e Gilberto Bandeira
Moderação: Reis Morais
No Estabelecimento Prisional de Chaves, esta mesa promoveu uma reflexão profunda sobre memória, mudança e identidade. Os oradores abordaram a forma como o tempo molda vidas, histórias e trajetórias, tanto individuais como coletivas.
No diálogo com os reclusos, a literatura revelou o seu poder transformador, permitindo revisitar o passado e reenquadrar o futuro. Cerca de 20 participantes estiveram presentes, num momento marcado pela escuta, abertura e humanização.
Mesa 4 – Quando as palavras e o espaço se fazem arte
Regimento de Infantaria 19 – 14h30
Oradores: Teresa Nobre e Artur Afonso
Moderação: Carneiro Rodrigues
No ambiente simbólico do RI19, esta mesa explorou a relação entre literatura, território e memória coletiva. Teresa Nobre e Artur Afonso refletiram sobre o diálogo entre a palavra escrita e os espaços físicos — históricos, militares, urbanos ou naturais — evidenciando como cada lugar transporta narrativas próprias.
O público, composto por cerca de 95 pessoas, acolheu as reflexões com grande interesse, valorizando a forma como a arte reinterpreta e resignifica o quotidiano.
Mesa 5 – Bem-vindos ao reino encantado das palavras…
Salão Nobre do Rotary Club de Chaves – 17h00
Oradores: Carla Anjos, Inês Cardoso, Sílvia Alves e Marcos Barroco
Moderação: Lídia Gouveia
A sessão infantojuvenil trouxe ao Salão Nobre um ambiente de fantasia e descoberta. Os quatro autores apresentaram as suas obras e envolveram o público na magia das histórias destinadas aos leitores mais jovens.
Às 18h15, o Coro Infantil do Agrupamento de Escolas Júlio Martins, sob coordenação do professor Fonseca, proporcionou um momento musical que reforçou o encanto das palavras através da música.
Os números que contaram histórias
A IX FLIC espalhou literatura pelas escolas, instituições e espaços culturais da região.
No dia 13, 5 escritores visitaram as escolas Gonçalves Carneiro, Santo Amaro, Nadir Afonso e Senhora da Cruz. Foram recebidas 42 turmas, num total de 1050 alunos.
A participação do público também se fez sentir:
– Termas de Chaves: 20 participantes
– Estabelecimento Prisional: 20 participantes
– Regimento de Infantaria 19: 95 participantes
A literatura a ligar territórios
A IX FLIC decorreu de 12 a 15 e 21 e 22 de novembro, em Chaves, Vidago e Vilarelho da Raia, reunindo escritores, artistas, alunos e comunidade em torno da literatura e da cultura regional.
Fotografias: Komunica Magazine e Rotary Club de Chaves




